Presa e encaminhada para a delegacia da Polinter, em Niteroi, as mordomias concedidas a Paula Thomaz despertaram a ira das outras presidiárias e de seus familiares, que escreveram cartas de protesto para a imprensa e até diretamente para mim:
Meses depois, quando do nascimento do filho, em decisão chocante, uma juiza mandou que a Polinter fosse reformada, para que a criança pudesse permanecer com ela, benefício que não era concedido a nenhuma outra presidiária: de acordo com a lei, para manter o filho perto de si, as presas teriam que ser transferidas para a penitenciária de Bangu, que tinha instalações adequadas para receber crianças.
A reforma da delegacia implicou no desalojamento das presas com direito a prisão especial: o espaço foi dado a Paula Thomaz, e as outras, as anônimas, as despossuídas, ainda que diplomadas, acabaram espremidas numa cela comum!
As mordomias não pararam por aí: Paula Thomaz recebia visitas a qualquer hora, tinha até empregadas: presas que limpavam diariamente sua cela e lavavam suas roupas e as da criança. As denúncias das presidiárias são confirmadas no relatório da Assistente Social que a entrevista:
As condições de acomodação dessa detenta são, assim, perpassadas por uma certa reprodução das desigualdades sociais no contexto do cárcere, na medida em que a condição socio-econômica mais favorecida de sua familia lhe permite remunerar companheiras de prisão para executarem “serviços domésticos”e lhe garantem bem estar.(…) Alega ainda que seu pai tem trazido muitos benefícios para o presídio, tendo arcado com o conserto do freezer, da fiação do chuveiro elétrico, com a vacinação dos cachorros que convivem no local e com alguma alimentação que esporadicamente traz para Paula, da qual as outras presas também participam.
Sabia-se que Paula Thomaz costumava sair da Polinter para “passear”. Numa das vezes em que saiu para encontrar-se com Guilherme de Pádua em um motel, foi denunciada pelas presas. Inquérito instaurado, ela confessou, confirmando o encontro. Os policiais envolvidos foram punidos em atos administrativos, mas a ficha de Paula continuou imaculada, e ela acabou ganhando a liberdade condicional por “bom comportamento”!!!