Guilherme de Pádua Thomaz chegou ao Rio com uma carteira de ator fornecida pelo sindicato de Belo Horizonte. Antes de entrar em De Corpo e Alma tinha feito aparições menores em outras novelas da emissora e, na época, trabalhava também no teatro, na peça Blue Jeans. Foi escolhido para o papel pelo diretor Roberto Talma através de fitas de teste levadas a ele pela então diretora de elenco Maria Carmem Barbosa. Não participei dessa escolha.
Nem Talma nem eu o conhecíamos. A verdade sobre ele só foi revelada depois do cometimento do crime: as pessoas que tinham esse conhecimento calaram na época da escalação: confessaram, depois, ter tido escrúpulos em prejudicar alguém que podia ter mudado! E ficou-se sabendo, até, que seu avô havia cometido mais de um assassinato.
Quando se escala um ator, do mesmo modo que quando se emprega uma pessoa, olhamos sua ficha profissional e não sua vida pregressa. É um êrro: o conhecimento dessa vida pregressa teria evitado tudo o que veio depois.
Violento, homossexual, ambicioso, obssessivo em seu desejo de fazer sucesso, apegado a crendices e rituais de magia, esse foi o retrato pintado pelos que conviveram com ele, nos autos do processo e na imprensa. Na busca desenfreada pra chegar lá, esteve casado com vários homens, alguns deles figuras conhecidas no meio artístico. Preservo seus nomes.
No Rio, enquanto esperava uma chance no mundo artístico, foi Leopardo na Galeria Alaska:
Rogéria fala dele em sua biografia:
Só uma vez me chamou a atenção nos ensaios quando o personagem dele matava um tenente. Fábio apagava as luzes nesse momento, mas ele continuava com o assassinato. Eu me perguntava: Por que, meu Deus, se estará tudo no escuro? Mas pode ser apenas coincidência. – Paschoal, Marcio. Rogéria: Uma mulher e mais um pouco (pp. 232-233). Estação Brasil. Edição do Kindle.
E integrou o elenco do filme gay VIA APPIA dirigido por um alemão que ele não teve escrúpulos em comprometer, numa das muitas versões que inventou, na tentativa de escapar da cadeia.
Com toda essa comprovada experiência, no livro que escreveu falando de si na terceira pessoa, conta como ficou chocado ao ouvir a palavra “pica”

Paula Thomaz, por sua vez, era filha única e mimada de um jornalista que nunca trabalhou como jornalista, e de uma fiscal do INSS. Rica, herdeira de vários apartamentos em copacabana, e acostumada, no dizer das testemunhas, a espancar a própria mãe quando não lhe fazia as vontades. Não estudava, não trabalhava, passava os dias ociosa, esperando o marido voltar das gravações e monitorando seus passos. Patologicamente possessiva, dez dias antes do crime, foi com o cúmplice a um tatuador: mandou tatuar o nome “Guilherme” na xereta, enquanto ele tatuou “Paula”em toda a extensão do pênis.
Hannelore Haupt, síndica do prédio onde a criminosa cresceu, e que a conhece desde criança, conta sobre seus pais, Aparecida e Paulo:
Aos 18 anos, foi proibida de entrar na galeria Alaska, então reduto do submundo do sexo. Motivo? excesso de violencia: deu garrafadas, agrediu e ameaçou matar mulheres que julgava poderem atrapalhar seus relacionamentos naquele ambiente, onde era conhecida pelo apelido “carne de leopardo”.
Rogéria também registra em sua biografia (Rogéria: uma mulher e mais um pouco):
Paula Thomaz era frequentadora assídua da Galeria Alaska e sentia prazer em tirar os homens das bichas, sempre foi uma barra-pesada.
Vários leopardos depuseram no processo e contaram na imprensa e na Polícia sobre esses feitos, sem que ela tivesse processado nenhum: como disse Arthur Lavigne no julgamento, “calou-se porque aquilo era apenas a ponta do iceberg!”
Um dos rapazes que namorou, conta que Paula Thomaz ofereceu a ele apartamento na atlantica, carro e outras vantagens financeiras para que se casasse com ela.
Diz Carlos Mauricio Jimenez, um dos participantes do show dos Leopardos, no processo:
Paula era uma das meninas que frequentava o show diariamente para caçar rapazes (…) Tenho conhecimento que depois de aprontar muitos escandalos durante o espetáculo dos leopardos, foi impedida de entrar no show (…) Quando ela se interessava por um levava para casa oferecia almoço, jantar, carro, roupa, presente, ia entrosando o rapaz na família e ele ia ficando hospedado lá
Paula nasceu Paula Nogueira de Almeida. Casada, tornou-se Paula de Almeida Thomaz. Hoje assina Paula Nogueira Peixoto. Mudou a cor dos cabelos, fez reparos no rosto, mas há coisas que não se pode reparar: caráter, alma. Aqui está ela, já quase cinquentona, irreconhecível para os que acompanharam seu julgamento, tentando introduzir uma filha no meio artístico e na roda dos amigos de Dany. É patológica a obsessão que a levou a matar, matricular-se depois na mesma faculdade de Dany, na mesma academia, e uma vez rejeitada, praticamente expulsa desses lugares, gerar uma filha para viver a fantasia mórbida. O assassino Guilherme pelo menos foi subir num palco diferente, quando virou pastor. Mas Paula é tão perversa, tão delinquente, tão psicopata, que quer o mesmo palco de sua vítima, quer banhar-se na luz do mesmo refletor, quer a vida que impediu Daniella de viver.
P.S. depois de matar Daniella e roubar sua bolsa, quando processada no civil, usou o artifício de declarar-se insolvente para não nos pagar o montante estabelecido pela justiça.
Essa assassina psicopata não é mais problema meu: já me tirou o que podia tirar. Hoje é problema das mães que convivem com ela.

Guilherme de Pádua Thomaz reincidiu: casou-se pela segunda vez com outra Paula, que nasceu Paula Maia e, casando com ele, também passou a se chamar também Paula Thomaz! Essa segunda Paula, depois de escrever um livro retratando os dias de cadeia do marido e seu encontro com Jesus, saiu do casamento meio a violências e ameaças, devidamente registradas nas páginas policiais de então.
