Ao planejarem a execução do crime, Guilherme de Pádua e Paula Thomaz tinham um álibi pronto para escapar das suspeitas que pudessem recair sobre eles. O Barrashopping. Veja o que ele diz no livro que escreveu, falando de si na terceira pessoa, quando descreve o momento em que a polícia o interrogava e ele negava a participação no crime, dizendo que tinha saído da gravação diretamente para ir buscar a mulher no Barrashopping.
Ele e Paula tinham inventado a história do Barrashopping para ter um alibi, mas ele não contava que a polícia tivesse o horário de saída da Tycon. Nem tinha pensado na questão do tempo (….) Ele tentava se acalmar para parecer o mais inocente possível. Não poderia parecer inseguro. Tinha que convencer a toda e qualquer pessoa que ele e Paula nada tinham a ver com a morte de Daniella. Para isto já possuía um depoimento armado: ele havia buscado a esposa no Barrashopping e só não podia comprovar porque quando passou para apanha-la eram mais de 22 horas e o guiche de entrada, que anotava a placa dos veículos já estava fechado. Para conseguir entrar com o carro havia pedido autorização a um segurança, explicando que a esposa o esperava. O segurança era moreno, tinha a barba por fazer e usava uma daquelas roupas fluorescentes. Tudo já estava combinado entre ele e Paula, para que ambos contassem a mesma história
Naquele dia 28, Guilherme de Padua e Paula Thomaz sairam de casa no início da tarde para ir ao médico de Paula, que tinha consulta marcada com o ginecologista dr Fernando Pedrosa. Mas ao invés de ir ao médico, foram preparar o álibi: rumaram para o Barrashopping, onde, segundo informação oficial do estabelecimento, deram entrada às hs. 14.19. Guilherme de Pádua marcou presença, entrou no Bobs e tirou fotos com fãs, Ao sairem de lá, às 15.12, como marcam os registros, acharam com certeza que podiam estar tranquilos: depois era só dizer que Paula Thomaz tinha ficado lá, durante as 8 horas seguintes, à espera de que ele terminasse as gravações.
Para um psicopata, que vive com a sensação de ser mais esperto que o resto do mundo, parecia o álibi perfeito. E ele diz isso textualmente, no livro que escreveu, quando conta o momento em que, juntamente com Paula, teve de atender a policia, que bateu na porta de sua casa, ao amanhecer:
Seguros de que possuíam um álibi perfeito, foram até a sala ao encontro dos investigadores
Mas voltemos ao dia do crime. No estúdio, Guilherme de Padua tratou de divulgar a história do Barrashopping entre a equipe da novela, durante todo aquele dia 28. A atriz Marilu Bueno descreve, em seu depoimento, a saída das gravações, quando cruzou com Guilherme de Pádua na saída do camarim:
que a declarante, ao passar por Guilherme , cumprimentou-o normalmente, tendo o mesmo dito que estava com pressa, pois iria levar sua mulher no Barrashopping. Que a declarante, em virtude dessa resposta, indagou a Guilherme: “e daí, qual é o problema?” tendo Guilherme respondido “é que já são vinte e uma horas, e o Barrashopping fecha as vinte e duas e se eu não levar minha mulher ao Barrashopping ela me mata
Ao mesmo tempo que divulgava o álibi, o cerco a Daniella e o constrangimento em que a situação a colocava, era percebido por todos. Diz a figurinista Carla Albuquerque:
que a declarante encontrou com Guilherme de Padua nos corredores da Tycoon e perguntou a Guilherme a razão porque ele não havia ido embora, tendo o mesmo respondido que iria logo em seguida, mas necessitava antes falar com Daniella Perez; que a declarante adiantou que Daniella Perez ainda estava gravando; que por volta das 20.10 a declarante voltou a encontrar com Guilherme de Padua em frente ao camarim feminino, voltando a perguntar porque ele não havia ido embora; que nessa oportunidade Guilherme demonstrava estranho com a expressão conturbada, parecendo irritado, que inclusive a declarante percebeu que a mão de Guilherme estava suando frio no momento em que ele tocou em seu braço; que nesse momento a declarante perguntou a Guilherme se ele estava se sentindo mal, havendo ele respondido que estava somente cansado e voltando a perguntar: Cade a Daniella Perez? que a depoente voltou a responder que Daniela estava gravando (…) tem também a esclarecer que ouviu a figurinista Rosinha dizer que a continuista Vanilda ouviu Guilherme pedindo uma carona a Daniela até o Barrashopping
Horas depois do crime, quando o casal de assassinos foi até a delegacia prestar solidariedade à nossa familia, diz a produtora Marcela Honignam em depoimento à polícia:
que Paula e Guilherme, acompanhados dos pais de Paula compareceram a essa delegacia, onde a declarante teve a oportunidade de conversar com Paula, quando então ela lhe disse se encontrar naquele dia muito cansada, pois passara a tarde no Barrashopping esperando Guilherme;
Como sabemos, o álibi do Barrashopping foi facilmente desmentido, com o pronunciamento oficial do estabelecimento dizendo que o santana dirigido por Guilherme de Padua não havia entrado naquele estacionamento depois daquela saída, às 15.12.No livro que escreveu (falando de si na terceira pessoa), Guilherme de Pádua deixa claro o quanto apostou no seu taco de manipulador para convencer os policiais:
Uma dúvida pairava no ar. Todos estavam espantados diante do crime e do suspeito. Ninguém naquele gabinete obteve má impressão da pessoa de Guilherme e eram evidentes em expressar isso. E a dúvida se acentuava na medida em que os tão experientes policiais não conseguiam resumir naquele jovem a autoria do crime.
A frase é um bom exemplo da empáfia de um psicopata: desde que apareceu a testemunha visual, confirmando seu carro com a placa adulterada no local do crime, a polícia não teve a menor dúvida do envolvimento de Guilherme de Pádua. Tanto assim que, na madrugada do crime, no IML, o delegado Cidade recomendou a mim que não falasse com ninguém que o assassino era ele, porque só poderia prende-lo às 6 da manhã.
Durante os anos do processo, julgamento incluso, coube a Paula Thomaz bisar muitas vezes o show de cinismo que foi a descrição das 8 horas que teria passado no Barrashopping., sem o comprovante de uma única compra e sem que tivesse sido vista por ninguém. Fazer voz infantil e abusar dos diminutivos foi o tipo de recurso que só fez evidenciar ainda mais a falsidade do que dizia.