
Como conta o delegado Cidade de Oliveira, na postagem Prisão e Confissão, os 4 advogados de Guilherme de Pádua chegaram à delegacia logo em seguida a ele ter admitido a prática do crime. Queriam que o cliente recuasse da confissão e partisse para a negativa de autoria, mas já não foi possivel.
Assim, tomado o depoimento, Guilherme de Pádua reivindicou o direito de não ser mais interrogado pela polícia, e só falar em juízo,

de modo que os delegados não puderam mais confronta-lo com as evidencias colhidas pela investigação, evidencias essas que desmentiam a versão que ele confessa, depois, ter “elaborado” .
No entanto, quando do sumário de culpa, também se recusou a falar diante do juiz, repetindo apenas a declaração de que cometeu o crime sozinho, não respondendendo a nenhuma das perguntas que lhe foram formuladas.
A primeira estrategia de sua defesa era exatamente essa: deixa-lo posar de herói, de marido/pai que se sacrifica por uma esposa insana, mas deixando todas as brechas para que a história (ainda mais insana) se desmintisse por si. Nessa primeira fase, o assassino não fazia nenhuma referencia ao telefonema da delegacia, quando disse a Paula, de modo a ser ouvido pelos policiais, que se calasse porque ele seguraria sozinho.
Naturalmente, o surrealismo da primeira versão necessitava reparos. E eles foram vindo. Durante os anos em que se esperou pelo julgamento, Guilherme de Pádua manteve o silencio diante da justiça e falou muito na imprensa, testando várias versões e mudando de rumo tranquilamente, à medida em que não parecessem críveis. Valia tudo. O desrespeito não conheceu limites.
Não pude mover processo porque, pelas leis brasileiras, um acusado tem direito de mentir, de inventar o que quiser: considera-se que faça parte do direito de defesa!!!! enquanto em outros países mentir, difamar, caluniar, agravaria a pena, entre nos o reu não é cobrado por isso: vale tudo para tentar escapar! premia-se a “esperteza”!
Uma das teses mais absurdas e revoltantes tentadas pela defesa é a que procura explicar os golpes desferidos no pescoço de Daniella como tendo sido dados com o intuito de fazer uma traqueostomia para salvar sua vida. É o que declara nesse jornal um dos seus advogados.
Guilherme de Pádua descreve a atuação de seus defensores na hora da confissão. Veja uma amostra do que ele conta e imagine o que não conta:
-faz o seguinte, diga que depois que vocês começaram a lutar você não se lembra de mais nada. (…) Fala da luta e depois você não se lembra de mais nada, entendeu? (…) então, estamos conversados.
-Fala o que nos combinamos.
-eu e o Barandier decidimos que você tem que admitir que a adulteração da placa foi depois da morte da Daniella (…) Se você mudasse a placa antes seria uma atitude premeditada. Agora faça o que estou mandando, o resto a gente vê depois.
-eu já conversei com os advogados dela (de Paula Thomaz) e decidimos que é melhor ela só depor em juízo, para dar mais tempo de pensar o que é melhor
-Olha Guilherme, se você não tivesse dito nada, eu te orientaria no sentido de ficar em silencio (disse o dr Luis Guilherme)
Logo em seguida esses primeiros advogados se retiraram do caso e entra Paulo Ramalho, anunciando novas e surpreendentes revelações.