Ao passar pelo local para anotar a placa dos dois carros parados em local tão ermo e suspeito, o advogado Hugo da Silveira pôde ver claramente o rosto da mulher sentada no banco do carona do santana. E a descreve para a polícia, na mesma noite do crime, como uma mulher de rosto redondo e cabelos compridos.
Na manhã seguinte, preso, Guilherme de Pádua confessa a autoria. Pontuou todo o depoimento com a afirmação “minha mulher não tem nada com isso“, o que já causou estranheza aos policiais. Mas ele achou pouco: manhosamente, pede para fazer uma ligação para casa, e diz de modo a ser ouvido para os policiais: fica calada que eu vou segurar sozinho.
Assim, ele entregou Paula Thomaz de bandeja para a polícia. E como a armação não o fez parecer inocente aos olhos de ninguém, reclamou da imprensa, por não ter dado a devida atenção ao fato. (o audio foi tirado de entrevista à revista Manchete, no Presídio de Água Santa
Anos depois, numa sórdida entrevista para a TV, deixa ainda mais clara a intenção do telefonema.
A artimanha de Guilherme de Pádua vem a público quando Paula Thomaz num sumário de culpa, denuncia que está sendo pressionada, por Guilherme e por seu advogado, para assumir sozinha a responsabilidade do crime. O argumento é que ela poderia ser enquadrada em homicídio privilegiado, o que permitiria que tivesse uma pena muito pequena, ou até pena nenhuma, enquanto Guilherme ficaria livre: sairia da história como heroi, por ter se sacrificado pela mulher, assumindo uma culpa que era dela e poderia candidatar-se com sucesso a um cargo político. Parece incrível, não é? mas esse era o projeto!
A negativa de Paula Thomaz provocou o rompimento entre os dois. As defesas se separaram, e mais uma vez a versão de Guilherme de Pádua teve de ser reformulada, enquanto Paula mantinha-se apegada à proposta inicial do cúmplice: não sabia de nada, não viu nada, nem mesmo estava lá!
Trecho da entrevista de Paula Thomaz ao Jornal Aqui e Agora (SBT), onde ela faz a denuncia
repete no Tribunal do Juri:
o detetive Valdir de Oliveira Andrade, um dos policiais que foi à casa de Paula Thomaz e ouviu a confissão, fala sobre a participação dela em depoimento na ALERJ:
