
Daniella costumava andar, no dia a dia, com duas bolsas, e estava com elas no momento em que foi emboscada e morta. Como as bolsas não foram encontradas, chegamos a pensar, num primeiro momento, que ela tivesse sido assaltada, morta e atirada naquele matagal.
Ela havia almoçado comigo, e saiu lá de casa com as bolsas de sempre: uma pochet da Yes Brazil e uma bolsinha preta, pequena, que parecia uma lancheirinha. Nesse dia, Daniella pediu a mim os 6 mil dólares que pertenciam a ela e eu guardava, porque pretendia acertar o pagamento do carro que estava comprando, um vitara. Fazia tempo que vinha juntando esse dinheiro. Guardou os dólares na pochette, onde havia também uma caderneta eletronica que ela havia ganho no natal.
Naquele dia, a caminho lá de casa, ela passou na loja, onde já tinha dado entrada para a compra do carro. Almoçamos com a produtora Marcela Honignam, que acertava com Daniella e a coreografa Sandra Regina, detalhes do ensaio daquela noite, que seria especial, porque a atriz Marilu Bueno estaria presente para avaliar o trabalho. Sandra Regina gravou ainda com Daniella, numa fita cassete, um mambo que seria dançado. Dali, Dany seguiu para a Academia Rio Sport Center, que fica exatamente ao lado da Tycon, malhou e foi gravar.
Veja a declaração do professor da Academia, no processo
Veja a declaração do maquiador Guilherme Pereira, que chegou a ver os dólares na pochet (1) (2)
Aqui, na última cena que ela gravou, um erro flagrante de continuidade permite ver que estava com a aliança: deveria te-la tirado, porque a personagem Yasmin não era casada.
Na saída da Tycoon, na fotografia que tirou com as duas crianças, as bolsas aparecem nitidamente. Veja a alça da pochet:
E outra bolsa, tipo lancheirinha:
As bolsas, os dólares, a caderneta, e a aliança de casamento que ela usava, não foram encontradas. Ali,no local do crime, informei aos policiais e aos delegados sobre o desaparecimento delas. O delegado Antonio Serrano acompanhado de um policial, chegou a abrir o porta malas do carro de Daniella, na minha presença e na do produtor Nilson Raman, em busca dessas bolsas.
Dia seguinte, ao confessar, Guilherme de Padua tenta negociar com o delegado, para que registrasse o crime como assalto. E explicou: tinha levado as duas bolsas de Daniella para simular que ela tinha sido assaltada. Diz o delegado Mauro Magalhaes, interrogado na ALERJ:
Ninguém ainda tinha contado a ele que roubar duas bolsas implicava numa pena muito maior do que assassinar uma pessoa! O sub secretário da Policia Civil, Joel Vieira, presente na delegacia, também ouviu a proposta e conta em depoimento na Justiça:
Que o declarante já ia deixando a sala, quando Guilherme pediu que ficasse e começou a dizer que era um homem apaixonado, relatando também a tatuagem que possuia no penis, mas negando a autoria e afirmando que não estava no local do crime. Momentos depois chegou a noticia da adulteração da placa do carro, e também da lavagem dos bancos do carro, que foi repassada a Guilherme. Em seguida o Acusado perguntou se tinha gravador na sala e o declarante retrucou, perguntando o porque, quando então Guilherme disse que ia admitir que estava lá (…) Guilherme afirmou que havia matado Daniella para roubar. Naquele momento o declarante afirmou que tal era dificil, pois não constava nada de roubo, quando ele então retrucou dizendo que havia roubado uma bolsa de Daniella.
O delegado Mauro Magalhães diz em depoimento na ALERJ:
Na ocasião, uma escrivã da 16a DP confidenciou a jornalista Tete Nahaz, que a estranha liberação do carro do crime, que ao inves de ser imediatamente retido pela polícia, foi entregue ao pai de Paula, para que ele próprio o levasse à perícia, deveu-se ao fato de que ele tinha sido incubido de passar em casa -como de fato passou- para pegar esses dólares. A escrivã me confirmou o fato. Notícia publicada, tendo sofrido ameaças graves, que incluiam seu filho -uma criança-, a moça implorou que a deixasse fora, e tratou de desmentir que tivesse revelado alguma coisa. Razão pela qual não publico seu nome nesse post.
Dona Hannelore Haupt, sindica do prédio, confirma a nova lavagem do santana, ali, na garagem do prédio:
A defesa de Guilherme de Pádua, diante da força das provas, apela para o cinismo: