O casal de assassinos foi até a delegacia, no próprio carro onde havia cometido o crime, dar pêsames a nossa familia! Guilherme de Pádua abraçou Raul, marido de Dany , dizendo: “força, cara! força, eu estou aqui… Foi a vontade de Deus“! Com aquela confiança que só os psicopatas depositam no seu poder de manipulação, enquanto Paula Thomaz bocejava. Guilherme de Pádua tomou a iniciativa e dirigiu-se a um policial. Deixo que ele mesmo conte. Aqui vai o (trecho do livro que escreveu, publicado na imprensa, onde sempre se refere a si na terceira pessoa):
na primeira oportunidade Guilherme quis adiantar logo a conversa com o policial:
-então? vamos conversar?
O homem de cabelos grisalhos fez uma expressão fria e cortante. Mantinha os braços cruzados e observava tudo com ar de superioridade.
-Vamos esperar o delegado titular. Ele acabou de sair, respondeu o policial pausadamente.
O ator teve a nitida impressão que o homem devia desconfiar do seu envolvimento com o crime.
Paula Thomaz entrou em cena com a estratégia de sempre: fingiu estar sentindo enjoos de gravidez, e retirou o cúmplice dali. Na saída, Guilherme de Pádua disse à Marcele Honignan, produtora da peça que Raul e Dany ensaiavam, que ligasse a qualquer hora se a polícia descobrisse alguma coisa, e não deixasse de avisar o local do enterro: queria estar ao lado das Gloria!!!!! o depoimento de Marcela está lá, registrado no processo.
Trecho do livro de Guilherme de Pádua (escrito na terceira pessoa), publicado no noticiário da época, falando sobre o sentimento deles nessa ida à delegacia:
ambos só pensavam nas consequências que a tragédia poderia trazer para eles. Queriam se livrar das responsabilidades que tinham sobre o crime. Queriam ser felizes.
aqui, um trecho de sua entrevista à reporter Lucileia Cordovil, onde conta que viu um filme que o recordou de como escondeu o corpo:
Na madrugada, o delegado chamou a mim e a Mario Lucio Vaz (diretor da Globo) numa sala do IML: queria o endereço de Guilherme de Pádua! foi assim que ficamos sabendo que o assassino era ele. Mas não podiamos comentar com ninguém, porque a polícia só poderia prendê-lo às 7 da manhã, e se fosse dado algum alarme ele poderia fugir e escapar do flagrante! então, não seria mais preso!
Calamos, Deus sabe como. E no amanhecer, enquanto via, atordoada, o corpo da minha filha entrando na capela do cemitério, a produtora Marcela veio perguntar se tinha uma moeda para o orelhão: queria avisar a Guilherme de Pádua! ele estava tão comovido, tão aflito…! E se ainda não tivesse sido preso? procurei me controlar e dei a moeda. Marcela voltou dizendo que ele não pôde atender: a polícia estava lá! e o encontrou dormindo!!!!!
Encurralado pelas provas, Guilherme de Pádua tentou negociar par que o caso fosse registrado como roubo. Mas como roubo, se o carro da vitima estava lá? diz o delegado. E ele esclarece, então, que levou as bolsas de Daniella para simular assalto. Na pochette estavam os dólares que nunca foram devolvidos. E a aliança de casamento que ela usava, também desapareceu.
O então subsecretário da Polícia Civil, Joel Vieira, que esteve na delegacia e assistiu o início da confissão, depôs diante do juiz contando o que diz a este jornal:
que Guilherme perguntou se não havia gravador ligado e disse que tinha estado com Daniella e acreditava que ela tinha sido morta durante uma tentativa de assalto. Momentos depois, impôs condições para confessar o crime. “Preciso proteger minha carreira e minha familia”, disse
Veja trecho da sustentação de Arthur Lavigne no Julgamento de Guilherme de Pádua -transmisão da rádio CBN:
Então ele “elabora”uma confissão mirabolante. Trecho do livro que escreveu, publicado em noticiários:
enquanto os investigadores elaboravam uma forma de faze-lo falar, ele imaginava o que iria dizer aos investigadores (…) Naquele curto espaço de tempo que teve para pensar, elaborou uma confissão: falaria que Daniella possuia um interesse amoroso por ele, mas ele não correspondia (…) Daniella o perseguia com extremo sentimento que nasceu de uma amizade, Algo como o filme “Atração Fatal” (…) esse era o esquema da confissão que ele havia elaborado.
Depois, reivindica o direito de não ser mais interrogado pela polícia e só falar em juízo. Assim, durante os cinco anos de espera pelo julgamento, testou várias versões através da imprensa.
obs. o áudio foi retirado do depoimento dos delegados na ALERJ