Naquele dia 28, depois de falar por muitas vezes que, ao final da gravação, iria pegar a mulher no barra shopping (álibi já pré ajustado entre os dois criminosos), Guilherme de Pádua vai buscar Paula Thomaz no intervalo de uma gravação, com a roupa de cena.
Veja o que diz Correia, o coordenador de produção:
Que GUILHERME gravou, naquele dia, 5 cenas, todas elas com uma única roupa- calça jeans e uma camisa clara, que figura no roteiro como roupa numero 5. Que começou gravando o cenário Quarto de Yasmin, onde teve duas cenas, e essas gravações foram de 19.10 a 19.16. Depois dessas duas cenas GUILHERME teve um intervalo de 11 cenas para gravar outra vez. Lembro que no final da última cena gravada (19.16), GUILHERME me consultou sobre o seu tempo disponível, queria saber quanto tempo teria livre para gravar outra vez. Dei a ele uma estimativa. De passagem pelo corredor presenciei quando GUILHERME pediu ao camareiro que emprestasse um relogio porque tinha esquecido o seu naquele dia
Ele vai a copacabana buscar Paula Thomaz. Saíram do prédio munidos de um travesseiro e de um lençol, para a emboscada. Diz o Porteiro Cesarino do Nascimento, que depôs na polícia e na justiça:
Paula trazia um travesseiro e um lençol de cor clara, tendo Guilherme aberto o porta-malas e colocado estes objetos no interior. Que ao retornarem, com o carro molhado, foi feito o procedimento inverso, isto é, abriram o porta-malas e dali retiraram o travesseiro e o lençol. (OBS. Estranhamento, nem esse travesseiro nem o lençol foram apreendidos pela policia)
A atriz Carla Daniel, em declaração constante do processo, conta que ligou para Guilherme de Pádua na madrugada do crime, para avisa-lo do que tinha acontecido. E ouve como resposta:
-E agora? como é que fica a gravação de amanhã e o roteiro?
Fiquei indignada ao ouvir tal resposta, reclamei pelo absurdo de dizer aquilo, respirei fundo e perguntei se ele iria na 16 DP ele confirmou.
Carla Daniel fala também de como Daniella vinha tentando fugir do cerco de Guilherme de Padua:
Quero ressaltar que dez dias antes do trágico ocorrido do assassinato, vi Daniella entrar no carro da atriz Juliana Teixeira, pedindo para irem logo embora e que não desse carona para o Guilherme, porque ela não aguentava mais ele ficar alugando o ouvido dela o tempo todo.
O assédio, a pressão, o cerco de Guilherme de Pádua a Daniella não passou despercebido a ninguém, especialmente no dia do assassinato.
Diz a camareira Amélia, em depoimento ao juiz:
que viu Guilherme chamando Daniela na porta do camarim; que escutou Daniela gritar para Guilherme lhe esquecer; que no dia dos fatos pode verificar o acusado Guilherme por tres vezes espaçadamente chamar a vítima na porta do camarim; que no dia do fato e somente nesse dia, ouviu Daniela comentar com dona Marilu (Marilu Bueno) que o reu Guilherme estaria lhe perseguindo.
Depoimento do maquiador Guilherme Pereira:
percebendo o declarante que ela (Daniela) saiu irritada de perto de Guilherme, levantando os braços com certa irritação
O ator Sandro Siqueira, que interpretava o garçom Severino na novela, contou à policia que no dia do crime percebeu o constrangimento de Daniella fugindo do assédio de Guilherme de Pádua. O delegado Mauro Magalhães conta o que ouviu de Sandro na Tribuna da Imprensa de 4/01/93:
“Daniella perez lhe afirmara ter medo de Guilherme de Pádua. Ela disse que tinha repugnância de trabalhar com ele e não dissera nada à mãe dela com medo de prejudicar o ator, ressaltou Siqueira, acrescentando que a atriz acabou sendo vítima de sua própria inexperiência.
Sandro Siqueira me contou esse fato e disse mais: que quando ouviu Daniella dizer que não tinha me contado sobre a pressão que estava sofrendo por parte de Guilherme de Pádua, foi taxativo: –você vai contar isso hoje pra sua mãe! se não contar, amanhã eu conto!
Infelizmente não houve amanhã!
Sandro Siqueira morreu logo em seguida, mas sua esposa depôs diante do juiz, confirmando o que ouvira dele.
Durante os anos em que se esperou pelo julgamento, Guilherme de Pádua dedicou-se a “elaborar”histórias, na tentativa de passar o crime torpe e covarde para o terreno do passional e, assim, beneficiar-se das atenuantes previstas pela lei. Falou demais e explicou de menos. Veja o que ele diz, em entrevista à rádio Tupy, na própria semana do julgamento: