Paula: a cínica Alice no país da impunidade

Tendo admitido para os policiais o seu envolvimento no crime, é levada para a delegacia, em companhia da mãe e de uma amiga. Vai simulando estar prestes a abortar. Em razão disso, os policiais pararam o carro que as conduzia no páteo ao lado da delegacia, evitando expo-la à multidão que se aglomerava ali, gritando por justiça. Delegados vão ouvi-la, e decidem que é melhor que o depoimento seja tomado na DP da Gávea. Chegando ali, já havia um telefonema, pedindo que retornassem à 16a, porque o pai dela estava lá, acompanhado do advogado que a representou, o dr Carlos Eduardo Machado.

Voltaram. O dr Carlos Eduardo já havia acordado com o delegado que ela se apresentaria para depor no dia seguinte, alegando questões de saúde. É lógico que ela não apareceu. Escondeu-na casa de uma tia e, quando foi decretada a prisão, internou-se numa clinica, simulando ameaça de aborto. Uma junta médica a dispensou, afirmando que não havia ameaça nenhuma -o documento está no processo. Ela foi presa. E instruída pelos advogados, passou a negar o envolvimento no crime. Para sustentar uma versão dessa diante da contundencia das provas seria preciso muito cinismo. Paula Thomaz teve de sobra!

No dia do crime, teria ido, às duas horas da tarde, para o Barrashopping com Guilherme de Pádua, que a deixou lá dizendo que voltaria para pega-la quando terminassem as gravações. Saiu de casa levando um lençol (segundo ela para cobrir um rádio) e um travesseiro, porque estava grávida, sentia grandes incômodos, precisava apoiar-se num travesseiro para andar de carro. Ainda assim, segundo seu relato, ficou 8 horas dentro do shopping, sem travesseiro nenhum, sem a companhia de ninguém, sem comprar nada, esperando  Guilherme de Pádua voltar.

O álibi do Barrashopping havia sido previamente combinado com o cumplice. Veja o que diz Guilherme de Padua no livro que escreveu (trecho publicado na imprensa):

já possuia na cabeça um depoimento armado: Ele havia buscado a esposa no shopping e só não podia comprovar porque quando passou para apanha-la já eram mais de 2 horas e o guichet de entrada que anotava as placas dos veículos já estava fechado. Para conseguir entrar com o carro havia pedido autorização a um segurança e explicado que a esposa o esperava. O segurança era moreno, tinha barba por fazer e usava uma daquelas roupas fluorescentes. Tudo já estava combinado entre ele e Paula, para que ambos contassem a mesma história, caso fosse necessário o depoimento dela

Guilherme de Pádua foi plantando o álibi durante todo aquele dia 28: chamou a atenção dos colegas, e consta de vários depoimentos, a insistencia com que ele dizia, a todo momento, que ia ao barrashopping “buscar a esposa”!

Audio do interrogatório de Paula Thomaz no Tribunal do Júri:

Estava “dormindo”quando a chegou a noticia do assassinato:

Estranhamente, a familia toda vai para a delegacia. Lá, Paula Thomaz esteve muito atenta, e assim que um detetive começou a fazer perguntas a Guilherme de Pádua, usou a artimanha de sempre: começou a “passar mal”, e o arrancou dali o mais depressa possível! Os muxoxos e as lamurias que fez, dizendo que estava cansada, estava enjoada, foram comentados por todos. Na hora, sem desconfiar que se tratava do casal de assassinos, os comentários giravam em torno da falta de senso de oportunidade de Guilherme de Padua, que num momento daquele, levava para a delegacia aquela mulher sem noção!

Ao amanhecer, Guilherme de Pádua é levado pela polícia! Estranhamente, dessa vez a família não vai junto com ele. E Paula Thomaz se supera: diz ao juiz que estava tão preocupada com o marido que foi dormir! Escute:

 

 

Dormiu mesmo. E, pelo visto, muito bem. Diz a mãe dela em depoimento na policia:

que quando o marido da declarante retornou da delegacia,  Paula ainda dormia

No dia seguinte à prisão, Guilherme de Pádua é solto por força de habeas-corpus. E vai ao encontro dela. Pois não é que ela não tocou no assunto do crime? nem sequer perguntou a ele o que tinha acontecido?

 

Paula Thomaz apostou alto na impunidade. Vestiu pele de cordeiro, fez a mocinha ingenua e atordoada, vozinha de criança e a palavra que mais repetiu durante seu interrogatório foi: não me recordo. Inútil: quanto mais dissimulava, quanto mais mentia, mais revelava a distorção de carater e a ferocidade que, aos 18 anos, a fez ser proibida de entrar no submundo dos shows eróticos por excesso de violencia!

Essa é a mulher que, insuflada pelo marido, grávida de 4 meses, foi capaz de emboscar, apunhalar 18 vezes, desovar uma menina que nem conhecia num matagal deserto e depois ir dormir tranquilamente, sem sentir nenhum enjoo e nenhum mal estar!

Só esqueceu que a Justiça não precisa da confissão de assassinos para condena-los!

 

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