O CRIME

A motivação: ambição, ganância

A premeditação foi reconhecida pelo júri e expressa com clareza na sentença: ajustando com terceira pessoa  o cometimento do delito

 

O crime: 

Um ator medíocre, em busca do estrelato. Escolhido para um papel secundário na novela das 21 horas, onde faria o elemento atrapalhador do romance de Yasmin (Daniella Perez) e Caio (Fábio Assumpção), acredita que suas chances de sobrepujar o galã (Fábio), esteja numa aproximação com a filha da autora. Tenta ficar amigo. O cerco interesseiro e pegajoso é detectado. Incomodada com a insistência dos pedidos para aumentar seu papel, Daniella começa a evitá-lo. Coincidentemente, ele vê sua participação  reduzida naquele bloco.Acreditando que sua carreira estava sendo prejudicado, trama, junto com a mulher, Paula Thomaz, o assassinato. E para selar o pacto criminoso,  fazem uma tatuagem nos órgãos genitais, onde um escreve o nome do outro. No dele, PAULA, em toda a sua extensão. No dela, GUILHERME.

 Naquela semana, entregue o bloco de capítulos (seis), sua personagem não aparecia em 2 deles. O psicopata desespera. Quer conversar, pedir explicações.  No dia do crime, elenco e produção da novela assistem, incomodados, à intensificação do cerco e as tentativas de Daniella de se esquivar dele. No dia do crime, o ator Sandro Solviatti pergunta à Daniella: “você já contou pra sua mãe que esse sujeito está lhe perseguindo?” Daniella responde que não. Não quer prejudicar ninguém. E Sandro responde: “Se você não contar hoje, amanhã eu ligo pra sua mãe e conto!” . Não houve amanhã.

 

 

Num intervalo das gravações daquele dia, o assassino pede um relógio emprestado ao camareiro Correa e vai a Copacabana com a camisa de cena, buscar a cúmplice Paula Thomaz. Entra no estúdio para gravar sua última cena enquanto ela fica de tocaia, durante 10 a 15 minutos coberta por um lençol no banco traseiro de um carro (um Santana) com a placa adulterada.

No páteo da Tycoon, à hora da saída (as gravações acabaram às 21 horas), crianças pedem fotos com Yasmin e Bira. Eles tiram as fotos. Guilherme sai (num carro que não era o dele). A pedido das crianças que pediram a foto, o motorista o seguiu.  Ele  pára logo adiante, no acostamento de um posto de gasolina. As crianças insistem em ficar, mas o motorista segue para casa. Ali, Guilherme de Pádua é visto e reconhecido pelos frentistas.

Daniella sai minutos depois dele da Tycoon e pára no posto, onde abastece o carro. E ao sair do posto, mais precisamente ao embicar para pegar a estrada principal, o carro dos assassinos avança, fazendo a interceptação que é assistida pelos frentistas. Ela sai do carro cobrando explicações, ele a desacorda com um soco e a atira no interior do Santana, que sai dirigido por Paula Thomaz. Guilherme assume a direção do Escorte de Daniella.

Minutos depois, -sim, minutos depois, os moradores de um condomínio da barra, próximo a um matagal sinistro e sem nenhuma iluminação, avisam a policia sobre a presença de dois carros suspeitos. O advogado Hugo da Silveira dera o alarme. A caminho da casa da filha viu os carros vazios. Deu outra volta para ter chance de anotar as placas. e foi nessa segunda volta que anotou a placa adulterada e viu o casal dentro do Santana. A mulher de rosto redondo que ele reconheceu, mais tarde, como Paula Thomaz.

A polícia chega e encontra só o carro de Daniella ali. Descobre, pelos documentos, que o carro pertence a Raul Gazzola. Como de praxe, um dos policiais vai até a delegacia e o outro fica guardando o carro abandonado. Sendo o matagal sinistro e perigoso, o policial que ficou diz em depoimento que, mesmo armado, achou por bem resguardar-se atrás de uma árvore. E tropeçou no corpo de Daniella.

Foram 18 estocadas no coração e no pescoço.Um violento soco na face direita, de acordo com os laudos periciais, aplicado minutos antes da morte. Nenhuma lesão de defesa. No tênis, os sinais de arrastamento: a sola deles mostrava claramente que ela não  havia ficado de pé naquele terreno, tendo sido atirada ali. Nenhuma gota de sangue no local nem no corpo, ainda que a causa mortis tenha sido, segundo o IML, anemia aguda, que se caracteriza por intensa perda de sangue.

Para onde foi o sangue? Os dois assassinos não contaram. Saíram do local roubando as bolsas de Daniella, os seis mil dólares que ela levava  para fazer o pagamento de um carro e sua aliança de casamento. Na polícia disseram que levaram a bolsa para simular assalto: nunca devolveram nada! nem a bolsa e muito menos os dólares.

Saíram dali para o primeiro posto de gasolina, onde pagaram uma quantia alta para que o frentista fizesse o proibido: lavasse o sangue de Daniella do banco traseiro do Santana. Naquela mesma noite foram à delegacia, no carro onde cometeram o crime, para abraçar nossa família e prestar condolências. Inesquecível para todos os presentes, o momento em que o criminoso aperta Raul num abraço dizendo: “Força, cara. Eu estou aqui”. E sai de lá recomendando à produtora Marcela Honignan que o avisasse da hora do enterro, porque fazia questao de estar do meu lado! Certos de que a encenação tinha sido perfeita, foram pra casa e dormiram tranquilamente, até serem acordados pela policia, na manhã seguinte.

  Dany morreu por volta das 21.30, segundo a perícia. De acordo com a planilha de entrada e saída de veículos, ela saiu do estacionamento por volta das 21.10. São 6 minutos da Tycoon até o matagal onde o corpo  foi encontrado. Desconte ainda o tempo no posto de gasolina.  E a hora da morte foi registrada em torno das 21.30. Foi uma execução.

Ambos reivindicaram o direito de “só falar em juízo”, e se negaram a fazer a reconstituição de todas as versões mirabolantes que contaram. Durante os cinco anos de espera pelo julgamento, testaram inúmeras e diversas versões através da imprensa, enquanto tinham os pedidos de habeas corpus negados por todas as instâncias do judiciário.

De nada adiantaram as versões fantasiosas: em 1997 foram julgados e condenados por homicídio duplamente qualificado: motivo torpe e através de meio que tornou impossível a defesa da vítima.

Na sentença de Paula Thomaz, julgada em data posterior à dele, o juiz registra com todas as letras a premeditação:acordando com terceiro o cometimento do crime”. 

Assista o video
 

, , , , , , , , ,

Powered by WordPress. Designed by Woo Themes