1993-Agenda de Dany e minha agenda
Num processo criminal, a pessoa é destituída de sua identidade: torna-se “a vítima”, o cadaver de um homem, mulher ou criança, de tantos anos, tanto de peso, tanto de altura. Sua humanidade se dilui nas páginas dos autos. A vítima não fala por si: a impressão que ela causa aos juízes, aos jurados e ao público, nasce a partir de descrições alheias, e não diretamente, mas através da linguagem fria e tecnica dos legistas e dos escrivãos de polícia e de justiça.
Por outro lado, se o crime é de grande repercussão, o imaginário popular se apropria dela, e a inventa e reinventa, ao sabor das fantasias de cada um: não há limites, porque o limite seria dado pela existência real, e não há mais existencia.
Esse capítulo tem o sentido de resgatar a humanidade de Dany. Aqui eu vou compartilhar fotografias, escritos, videos caseiros, pequenos detalhes de sua vidinha cotidiana. Não é espaço para falar da bailarina nem da atriz, mas da menina que nasceu de mim, cresceu protegida pelas minhas asas de mãe, da moça que ela se tornou, afetuosa e amiga. Eu vou falar de Dany , a irmã do Rodrigo e do Rafa, neta do Miguel, da Guguta e da Zuleika, sobrinha do Saulo, prima da Babi, do Henrique, do Paulo e do Marquinhos, afilhada do tio Wilson e da tia Noca. Filha – minha e do Luis Carlos.
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fechamento da novela De Corpo e Alma, na voz de Stenio Garcia