Patética a “entrevista” do ator e condenado pelo assassinato da atriz Daniella Perez, Guilherme de Pádua, ao apresentador do “SBT” Carlos Massa, o Ratinh.o O Guilherme que se apresentou para as lentes da TV está sadio, com um ótimo aspecto físico, cabelo engomado, barba feita e tranquilidade inquietante.
Chama a atenção que consiga transmitir tanta vida, sorriso largo e charme, mesmo tendo protagonizado um crime tão perverso. Tirou uma vida, mas pelo visto ganhou outra para si, muito melhor do que já tivera.
Como jornalista não posso me opor ao direito dele se expressar. E nem de Ratinho, ou qualquer outro, de entrevistá-lo. Guilherme de Pádua foi preso, condenado, cumpriu pouco menos de 7 anos de prisão, como estabelecia a lei da época, e está de volta. Só não dá para esquecer que um dia depois da morte de Daniella Perez ele estava consolando a mãe, que não sabia que aquele rapaz que dava os pêsames era o algoz da filha.
Dezoito anos depois, o canastrão volta para recuperar o seu lugar “perdido” na mídia. Ele e sua então esposa, Paula Thomaz, foram condenados por matarem Daniella Perez com 18 golpes de tesoura. Uma brutalidade resumida a oito perfurações no peito, quatro no pescoço e seis nos pulmões. Marcas de violência em outras partes do corpo. Desfiguraram o corpo da moça.
Voltemos ao presente. Por que foi um teatro patético? O programa apresentou o caso aos espectadores frisando que Guilherme de Pádua se converteu à palavra de Jesus. Uma expressiva parte do público não era nem nascida quando Guilherme e Paula atraíram Daniella para sua morte. Para estas pessoas ainda vale a “dúvida”. Para quem tem mais idade torna-se difícil o perdão.
O apresentador perguntou a razão que fez com que Guilherme de Pádua matasse sua colega de novela, filha da autora Glória Perez. Depois de gastar todo o tempo do programa, se deliberadamente ou não, se já predisposto a isso desde o início ou não, pouco importa. O fato é que ele não respondeu. E disse que não faria por temer ser processado novamente pela Justiça. Claro, o ator foi para fazer cena, armar a volta por cima e não em busca da verdade. Prefere viver no seu planetinha particular.
No entanto, desdenhou, sorriu, enrolou, representou e deixou ainda mais profunda a certeza de que possui um caráter em desvio desde nascença.
Durante a entrevista, Ratinho pergunta se ele pensa em pedir desculpas à mãe da vítima. Ele diz que sim. Na sequência do bloco, ele relembra sua vida de palco e diz que em todas as peças que trabalhou tirou a roupa. E por exercer o ofício já beijou homem, mas de boca fechada. “De boca fechada, Ratinho”, disse divertido.
No dia que Daniella Perez foi assassinada, Guilherme de Pádua enterrou a sua maior ambição. Ele almejava ascender na carreira ao atrair para sua órbita a filha da autora. Só não contava com a ira, o ciúme doentio e a truculência da sua própria mulher, inconformada com a proximidade “perigosa” do casal.
O crime foi monstruoso. Não merece show na TV. Pela alma de Daniella que precisa descansar e por respeito a família e amigos da vítima. Ratinho perdeu a oportunidade de enquadrar o autor de um crime tão hediondo. A ida à TV foi um prêmio. E ponto final.